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Conselho Federal de Farmacia (CFF)
Centro Brasileiro de Informacao sobre Medicamentos (Cebrim)
Nota tecnica nº 02 / 2009
Data de elaboracao: 27 de julho de 2009.
Prevencao e tratamento farmacologico da Gripe A H1N1 (“Gripe Suina)
O que e a Gripe A (ou Gripe Suina)? Gripe, ou influenza, resulta de infecao por um dos tres tipos basicos do virus influenza (A, B ou C), sendo o tipo A o mais patogenico. e uma doenca respiratoria aguda que acomete as vias aereas superiores; pode ser assintomatica ou apresentar sintomas pouco especificos, como febre, cefaleia, mialgia, astenia, fadiga e tosse. A doenca se associa, significativamente, a falta a escola ou ao trabalho, morbidade e mortalidade, sobretudo em individuos com determinadas predisposicoes fisiologicas e patologicas. Muitas vezes, a instalacao dos sintomas e abrupta e de facil reconhecimento pelo proprio paciente. Como complicacoes, podem ocorrer agravamento de condicoes cronicas, bronquite aguda, sinusite bacteriana, pneumonia viral ou bacteriana e, ainda, complicacoes extrapulmonares.
Os vÃÂÂrus influenza A são subdivididos em subtipos, classificados conforme as proteÃÂÂnas antigênicas de superfÃÂÂcie que expressam, especialmente a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N); estes antÃÂÂgenos apresentam propensão a variações periódicas que possibilitam o surgimento de surtos de infecção pelos vÃÂÂrus. A pandemia de 1918, por exemplo, conhecida como gripe espanhola, foi causada por subtipo H1N1 do influenza A, e a gripe aviária, em 1997, por H5N1. A partir de abril de 2009, foram divulgados casos de gripe associados a um novo subtipo do vÃÂÂrus influenza A, H1N1, inicialmente chamada de gripe suÃÂÂna. Este vÃÂÂrus teve origem em uma combinação de genes dos vÃÂÂrus influenza suÃÂÂno, aviário e humano.
Como se previne a Gripe A? Vacinação é a principal medida preventiva contra a gripe. Porém, até o momento não se dispõe de uma vacina especÃÂÂfica para combater a Gripe A H1N1 responsável pela atual pandemia. No entanto, medidas preventivas podem reduzir a disseminação da infecção, por pessoas infectadas (ou suspeitas) e por parte de pessoas saudáveis. Entre as medidas recomendadas, estão: • evitar permanência desnecessária em ambientes com aglomeração de pessoas e pouco ventilados; • adotar cuidados de higiene pessoal, tais como lavar as mãos com água e sabão neutro ou sabonete após contato com objetos e superfÃÂÂcies que possam eventualmente estar contaminados com resÃÂÂduos de saliva ou secreção nasal, tais como corrimões de escadas, transportes coletivos, etc; • adotar hábitos saudáveis como alimentação equilibrada e descanso diário; • usar máscara ou lenço durante crises de tosse e espirro; • evitar contato muito próximo com pessoas que apresentam os sintomas de gripe.
A Gripe A tem cura? Na maioria dos casos, ocorre cura espontânea. A maioria dos sintomas da gripe regride após cerca de uma semana. No entanto, tosse, fadiga e malestar podem persistir por mais semanas. Em casos de forte suspeita de Gripe A, o tratamento farmacológico recomendado baseia-se no uso do antiviral oseltamivir (Tamiflu®; Roche), ou zanamivir (Relenza®; GlaxoSmithKline), que são empregados para tratar indivÃÂÂduos com influenza A e B. Contudo, atualmente, apenas o oseltamivir está disponÃÂÂvel no Brasil, fornecido pelo Ministério da Saúde. O prazo requerido para obtenção do resultado de testes diagnósticos laboratoriais é longo considerando-se a necessidade de tratamento imediato, por isso, recomenda-se tratamento com antiviral em pacientes com fortes suspeitas de estarem com a Gripe A e que se enquadrem em um dos grupos de risco de complicações, a saber: • crianças até 5 anos de idade e adultos acima de 65; • gestantes; • imunodeprimidos; • indivÃÂÂduos com doenças crônicas pulmonares, cardiovasculares (exceto hipertensão), renais, hepáticas, hematológicas, neurológicas, musculares e metabólicas (inclusive diabete melito).
Qual a eficácia do oseltamivir (Tamiflu®) no tratamento da Gripe A? Até o momento, não foi encontrado estudo adequado que tenha testado o oseltamivir em pacientes com Gripe A. Os benefÃÂÂcios clÃÂÂnicos do uso de oseltamivir advêm de estudos em pacientes com outros subtipos de vÃÂÂrus influenza. Além disso, tais benefÃÂÂcios são de relevância clÃÂÂnica ainda incerta e os estudos que avaliaram mortalidade não foram suficientes para demonstrar redução na incidência de tal desfecho. Sabe-se que quanto mais rápido se inicia o uso de oseltamivir, dentro das primeiras 48 horas do surgimento dos sintomas, maior será o potencial benefÃÂÂcio clÃÂÂnico; por outro lado, o antiviral é potencialmente ineficaz se iniciado após este prazo. Os principais benefÃÂÂcios clÃÂÂnicos do oseltamivir foram demonstrados em estudos que envolveram pacientes com gripe diferente da atual pandemia, comparado a placebo. Pacientes com gripe que tomam oseltamivir têm cerca de 1 dia a menos de sintomas; cerca de 1,5 dia a menos para retorno às atividades normais; e têm cerca de 38% menos chance de necessitarem de antibibacteriano. Mas esses resultados são variáveis conforme a idade e condições especiais de cada paciente. Segundo análise da revista independente Prescrire, na França, os efeitos adversos do oseltamivir, tais como sangramento gastrintestinal, problemas neuropsiquiátricos e reações cutâneas, superam em muito seus limitados benefÃÂÂcios na prevenção ou tratamento da gripe.
A Gripe A pode ser resistente ao oseltamivir? VÃÂÂrus influenza A H1N1 identificados em surtos sazonais anteriores a atual pandemia eram sensÃÂÂveis a oseltamivir, embora entre os anos 2008 e 2009 tenha se observado aumento mundial significativo da resistência viral ao fármaco. Dessa forma, ainda que o CDC (Centers for Disease ControlPrevention), nos EUA, declare que o vÃÂÂrus envolvido na atual pandemia apresenta sensibilidade aos antivirais oseltamivir e zanamivir, o uso destes fármacos deve ser criterioso para prevenir surgimento de resistência viral, tendo como base um monitoramento da sensibilidade do vÃÂÂrus em determinada região. Nas regiões onde haja resistência ao oseltamivir, recomenda-se o uso de zanamivir.
Recomendações gerais Devido às dúvidas que permanecem sobre a efetividade e a segurança do oseltamivir, antes de prescreverem este antiviral para tratamento da Gripe A H1N1, os prescritores deveriam levar em consideração:
1) a Gripe A H1N1 é uma doença auto-limitada, com rápida recuperação dos sintomas na maioria dos pacientes previamente saudáveis; 2) a auto-resolução da doença pode ser confundida com benefÃÂÂcio do medicamento; 3) há risco potencial de exposição do paciente a efeitos adversos e gastos desnecessários; 4) há risco potencial de indução de resistência viral; 5) os benefÃÂÂcios demonstrados do oseltamivir são modestos.
Dessa forma, o tratamento ou profilaxia de Gripe A com oseltamivir ou zanamivir deve atender aos seguintes critérios:
• pacientes de alto-risco para complicações relacionadas àgripe; • indivÃÂÂduos que tiveram contato direto com casos confirmados ou prováveis de infecção pelo vÃÂÂrus; • casos suspeitos até que seja excluÃÂÂda a possibilidade de infecção ou seja realizado outro diagnóstico.
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Fonte: Cebrim (CFF) Autor: EmÃÂÂlia Vitória da Silva e Rogério Hoefler
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